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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Risco muito elevado

Ainda a propósito do recente aumento descarado de impostos, a quem alguém chamou "corte radical na despesa do estado", li hoje uma notícia sobre a reacção do Angelo Correia, coitadinho...
Este senhor ainda tem o descaramento de dizer que "é aborrecido para todos nós..." mas concerteza não tem que apresentar o IRS para comprar o passe social nem tampouco lhe deve incomodar a subida do IVA no gás e electricidade ou o saque (para não dizer roubo) ao subsídio de Natal para poder tapar os buracos de BPN's e das Madeiras!!!
E não me venham com merdas acerca de os ricos pagarem a crise pois toda a gente sabe que a grande fonte de rendimentos dos ricos não provém destes ditos "rendimentos declarados" mas sim dos rendimentos de capital, rendimentos prediais, dividendos e muitos outros tipos de transações financeiras que incluem, por exemplo, o offshore da Madeira, no qual vamos ter que enfiar agora os nossos subsídios de Natal para tapar o tal "desvio colossal", referido pelo gasparzinho... A singela quantia de 500 milhões para que o alberto continue com as alarvidades no seu jardim!
Bah!! Chega de hipocrisia e chega desta corja a que alguns chamam comunicação social que mais não fazem do que andar a mando e desmando de quem continua a delapidar o país e a hipotecar o futuro das gerações mais novas...
Dizem que somos um país de brandos costumes. Qualquer dia ainda vamos enfiar os brandos costumes em alguns deles... Às vezes basta uma pequena faúlha para incendiar uma floresta e nos últimos meses temos assistido, por essa Europa fora, ao aparecimento de pequenas faúlhas que causaram grandes motins. Aguardemos... O ponteiro está quase a chegar ao máximo!


Paciência tem limites e o que é demais, é moléstia!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Portugal no seu melhor

Esta semana dirigi-me a um marmorista para que este me cortasse uma tira com determinadas dimensões a partir de um resto de pedra que tinha lá em casa.
Deixei, no marmorista, a referida pedra juntamente com um papel onde especifiquei claramente as dimensões pretendidas: 0,8 cm por 27,6 cm.

Ontem ligou-me o marmorista mor (presumo que o chefe da coisa) a dizer-me que não percebia o que era para fazer. Expliquei-lhe que apenas queria uma tira de pedra com as medidas que lhe deixei ao que ele me questionou: e então qual vai ser a espessura?
Mantive a calma e expliquei-lhe que a espessura era a da pedra que lá tinha! Nem mais, nem menos ...

Hoje, fui lá buscar a dita "tira" e eis que me sai uma pérola com 27,6cm e 8cm. Ou seja, a conversão das unidades foi feita de 27,6cm para 0,276m e 0,8cm para 0,08m!
E o melhor foi quando lhe tentei explicar que 0,8cm era a mesma coisa que 8mm! Não, dizia ele ... para isso teria que ter escrito 0,08!!!

Estamos a falar de malta que lida todos os dias com medidas e que tem esta dificuldade em fazer conversões de unidades !
Não sei se volto a ler artigos de opinião sobre a produtividade nacional (ou a falta dela ...).

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Ainda a geração à rasca

Aqui está o retrato fiel da "dita" geração à rasca.
Texto de Mia Couto.

Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

terça-feira, 4 de maio de 2010

Pare, escute, olhe e não esqueça!

Já há uns tempos atrás, tinho falado aqui sobre o Tua e o desaparecimento da Linha do Tua.

Entretanto, após umas pesquisas, fiquei a conhecer muita gente que, como eu, se revolta contra este crime e contra mais uma machadada infligida sobre uma das regiões mais bonitas de Portugal, Trás-os-Montes.

Estreado há pouco tempo, e ainda em exibição em algumas (muito poucas) salas de cinema do país, está o documentário "Pare, Escute, Olhe", da autoria de Jorge Pelicano e que venceu o festival DocLisboa deste ano. Aqui fica o trailer.





No site do filme podem encontrar ainda um acervo fantástico de fotografias do Tua e mais alguns vídeos sobre o desaparecimento desta pérola transmontana.

No site do Movimento Cívico pela Linha do Tua podem encontrar um secção de fotografias e vídeos sobre o assunto.





A galeria de imagens é soberba mas a secção de vídeos está muito completa e permite-nos conhecer a história deste crime desde o encerramento de parte da linha entre Macedo de Cavaleiros e Bragança em Dezembro de 1991. Aconselho vivamente a visualização dos dois últimos vídeos na página: o Grande Roubo (1) e o Grande Roubo (2). Facilmente ficamos a perceber os interesses que estão por detrás do fecho da linha e de como a CP foi um interveniente (mais do que) activo no meio deste filme todo ...

A incúria, o desleixo, o esquecimento propositado não podem ficar em claro. A CP é, sem qualquer dúvida, um dos principais culpados de toda esta farsa.

Tenho plena consciência que a maior parte das petições online não passam disso mesmo e por isso nunca assinei nenhuma ... até agora. Acho que depois de ter presenciado a imponência daquelas maravilhosas paisagens e sentir uma enorme pena de nunca ter tido oportunidade de percorrer um trajecto único em Portugal, não pude deixar de assinar esta petição pela preservação do património do vale do Tua.
Quem sabe se um dia não poderei experimentar este passeio ...

Não deixemos o Tua cair no esquecimento.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Haverá mundo além Sócrates?

A grave crise financeira que se abateu sobre o mundo (incluindo Portugal) teve dedo do Sócrates ...
No caso Freeport, Sócrates está atolado até ao pescoço (ainda não se sabe como, mas está ...).
O caso BPN não envolve Sócrates, portanto não se discute na praça pública.
A asfixia democrática, ideia brilhante do nosso (será mesmo nosso ?!?) Presidente da República e promovida pela sua acessora extra Belém (a Manela para os amigos) foi um acto terrível praticado por este governo, logo pelo Sócrates.
O caso do salto à Vara (mais conhecido por Face Oculta) teve selectivas fugas do segredo de justiça para, ora adivinhem lá, meter o Sócrates ao barulho !!!

Irra, já não há paciência para este de notícias ...

Hoje, no jumento ...

"Alguns dos que me criticam não imaginam quanto me apetece mandar umas farpas, desabafar o que me vai na alma por aquilo a que estou a assistir, nem calculam como gostaria que houvessem alternativas credíveis a Sócrates dentro e fora do Partido Socialista, como estou cheio de vontade de deitar o que me vai na alma.
No dia das eleições estava a decidido a “passar-me” para a oposição pois neste país não bajular o líder já é ser oposição, atrás do primeiro-ministro segue uma imensa procissão de ministros, secretários de Estado, assessores, directores-gerais e uma infinidade de admiradores capazes de lhe lamberem o rabo e assegurarem que sabe a baunilha.
Mas quando a oposição é liderada por sacanas anónimos que durante o fascismo foram serviçais do regime e agora estão disposto a subverter a democracia para defenderem mordomias miseráveis não serei eu a ajudá-los a completar o serviço. Se Sócrates é gatuno, corrupto ou muito simplesmente um pilha-galinhas então provem-nos, façam-no segundo as regras e com competência porque é para isso que os contribuintes lhes pagam e, tanto quanto sei, nem sequer estão mal pagos.
Criticar as políticas de Sócrates e ajudar um partido que tem uma líder que vai ao caixote do lixo do Ministério Público para escrever os discursos que faz no parlamento? Ou para ajudar os que sonham uma sociedade tão boa que só funciona se for imposta uma ditadura idiota?
De resto, não vale a pena perder tempo a falar de coisas sérias, desde o Presidente da República aos órgãos de comunicação social, desde Jerónimo de Sousa até Manuela Ferreira Leite, todos estão preocupados em saber do que fala Sócrates com Armando Vara. E se a PJ pudesse usar os tais aparelhos sofisticados que comprou à secreta israelita quando o Sócrates está com a Fernanda Câncio na cama ainda havia algum procurador-adjunto que mandava uma certidão para o Supremo só porque o primeiro-ministro em vez de dizer ai deu-lhe para gritar pela TVI, pela Manuela Moura Guedes ou pela Freeport, sinal evidente do seu envolvimento em negócios poucos claros, matéria suficiente para investigar, para preocupar um qualquer montanheiro de Belém ou pra levar o sindicalista dos magistrados a um orgasmo precoce.
A agenda política nada tem que ver com os problemas do país, é gerida por canalhas incompetentes e cobardes e a pouca-vergonha chegou ao ponto de os líderes partidários estarem mais empenhados em saber do que fala Sócrates ao telefone do que em apreentarem alternativas credíveis. A excepção é Paulo Portas, os submarinos obrigam-no a ser inteligentes, os outros permitem-se ser mais burros do que o costume.
Entretanto em vez de discutir os problemas do país e criticaras políticas governamentais ou as escolhas que vão sendo feita, temos de andar a toque de caixa por causa de meia dúzia de pobres diabos que só por terem sido seminaristas do CEJ se julgam sacerdotes que podem ouvir todos em confissão e revelar o que ouviram, o que imaginaram ter ouvido e o que gostariam de ter ouvido, tudo isso para que os crentes mais ingénuos fiquem a pensar que ouviram o que ninguém ouviu.
Enquanto não acabar esta penitência colectiva, enquanto os magistrados e os políticos incompetentes promoverem esta mortificação colectiva digna de supernomerários da Opus Dei, não alinho e lá terei que deixar a oposição mais tarde, não me junto a gente desta.
"

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Como é que se faz para perder?

Gosto, e normalmente tenho por hábito no final do dia eleitoral, de ouvir os comentários aos resultados e, acima de tudo, de apreciar as reacções de cada partido.
Infelizmente ontem, como tinha regressado de Cabeceiras de Basto e de um fim de semana preenchido (com festa e passeio de moto), a exaustão venceu-me e acebei por adormecer em frente à TV sem nada ver nem ouvir além dos resultados gerais a nível nacional.

Após a leitura de início de semana que faço a um conjunto de blog's de opinião que gosto de seguir, retive dois post's que, na minha modesta opinião, resumem aquilo que se passou.

Na Câmara de Comuns, o Rodrigo Saraiva faz um resumo excelente atribuindo dois sabores a cada candidato: o doce e o amargo. Concordo com ele quando refere que o Paulo Portas foi o único que se ficou apenas pelo doce.

Já no "Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos", retenho esta magnifíca analogia:

"Pelo que percebi hoje, se o Futebol Clube do Porto ganhar, esta época, o campeonato nacional com menos de 8 pontos sobre o segundo classificado, perde o campeonato e os vencedores serão os 2º, 3º e 4º classificados. Foi mais ou menos isso, não foi?"

De facto, quer se queira, quer não, quem ganhou as eleições foi o PS. Foi ao PS que os portugueses deram a responsabilidade de governação e daí não há como fugir ...

Ou há por aí, algures, uma outra forma de interpretar percentagens?

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Gripe Porcina

Vale a pena ver este pequeno documentário sobre aquilo que realmente se passa e o que nos fazem crer sobre estes tipos de gripe que nos últimos anos nos tem assolado.
Primeiro foi a gripe aviária. Agora, a chamada gripe dos porcos ...

O medo, o pânico e o carneirismo de muitos quando confrontados com os media paralisam muito boa gente e impedem-nas de ver um pouco mais além...
Além do nevoeiro levantado por muitos e grandes intere€€es internacionais...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O país em que vivemos !!!

O texto que se segue foi escrito pelo Miguel Sousa Tavares, no Expresso.

Palavras para quê? Vale a pena ler tudo ... até ao fim ...
Reflecte sem qualquer sombra de dúvida a estupidez e o desnorte dos últimos governos, independentemente da sua cor ... E o mais triste é que acabamos por nos habituar e acomodar com estas situações. Quer viremos para um lado (rosa) quer viremos para o outro (laranja), vai tudo dar ao mesmo !!!

Parece mesmo que não temos por onde fugir deste cantinho à beira mar plantado...

"Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:

- É sempre assim, esta auto-estrada?

- Assim, como?

- Deserta, magnífica, sem trânsito?

- É, é sempre assim.

- Todos os dias?

- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?

- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

- E têm mais auto-estradas destas?

- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.

- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?

- Porque assim não pagam portagem.

- E porque são quase todos espanhóis?

- Vêm trazer-nos comida.

- Mas vocês não têm agricultura?

- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

- Mas para os espanhóis é?

- Pelos vistos...

Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

- Mas porque não investem antes no comboio?

- Investimos, mas não resultou.

- Não resultou, como?

- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

- Mas porquê?

- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

- E gastaram nisso uma fortuna?

- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...

- Estás a brincar comigo!

- Não, estou a falar a sério!

- E o que fizeram a esses incompetentes?

- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?

- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.

Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.

- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

- Isso mesmo.

- E como entra em Lisboa?

- Por uma nova ponte que vão fazer.

- Uma ponte ferroviária?

- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.

- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!

- Pois é.

- E, então?

- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.

Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.

- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...

- Não, não vai ter.

- Não vai? Então, vai ser uma ruína!

- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?

- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

- E vocês não despedem o Governo?

- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...

- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?

- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?

- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?

- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.

Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?

- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.

- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?

- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

- Não me pareceu nada...

- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

- E tu acreditas nisso?

- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

- Um lago enorme! Extraordinário!

- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

- Ena! Deve produzir energia para meio país!

- Praticamente zero.

- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!

- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?

- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?

- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.

Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.

Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!"

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O Magalhães ...

Muito se tem dito e escrito sobre o Magalhães ... aquela coisinha pequena que os "piquenos" passam a ter direito/acesso a partir deste ano lectivo ...

Também eu deixo aqui uma "piquena" nota ...

Hoje de manhã, depois de malhar no ginásio (assunto que um dia abordarei com mais detalhe), fui encher o bandulho ...
Estava no café e comecei a ouvir uns barulhos estranhos ... umas vozes sintetizadas, sons de tiros e bombas e afins ...

Eis quando me apercebi que estava um miúdo (não mais do que 7~8 anos), supostamente a tomar o pequeno almoço com os pais e, enquanto os graúdos mantinham uma amena cavaqueira, o petiz dava uso ao seu Magalhães dando uns tiros e atirando umas bombas !!!
Isto perante uma passividade total por parte dos pais !!! Irreal, completamente irreal !!!
Até compreendo que os putos se entretenham com alguns joguitos mas, no café ?!?!? Tiros e bombas às 8h30 da matina ???
Para isso deiam-lhe uma PSP ou qualquer coisa do género e deixem-no no quarto !!!

Perante este cenário, só posso concluir que afinal são os pais (espero sejam uma minoria) que não estão minimamente preparados para educar "tecnologicamente" os seus filhos ...

Com ou sem Magalhães ...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A esmola do BPP

A esmola é grande e o santo nem desconfia?

"É esta a pergunta que gostaria de fazer aos que confiaram o seu dinheiro ao BPP a troco de taxas de juro mais elevadas do que as da concorrência, como se aquele banco estivesse na posse de uma poção mágica. Há em Portugal gente que anda sempre em busca de melhores remunerações para o dinheiro sem se questionarem sobre o porquê dessa vantagem, já aconteceu com a Dona Branca como pode suceder com qualquer banco.

Muitos dos clientes do BPP nem leram os contratos que assinaram, bastou-lhes o engodo de taxas elevadas e a explicação do funcionário de balcão. Agora querem que sejam os contribuintes, muitos deles sem dinheiro para aplicações financeiras, a suportarem os seus prejuízos.

Da próxima façam como os outros, sejam menos gulosos e mais cuidadosos porque ao contrário do que julgam no mercado financeiro não há nem milagres nem poções mágicas, ou se ganha pouco ou se arrisca."

In "O Jumento"

Pois é meus amigos ... Quando se arrisca, nem sempre se petisca ...