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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Passagem deliciosa...

Comecei esta semana a ler "O Jogo do Anjo" de Carlos Ruiz Zafon, excelente autor e do qual já muito tinha apreciado o seu "A Sombra do Vento".
Ontem, deliciei-me com esta passagem:

"Estavam os meus companheiros de alojamento amontoados de encontro à janela a ver se captavam uma visão fugaz das monumentais nádegas de Marujita num daqueles vaivéns que as espalhavam como massa de folar de Páscoa de encontro ao vidro da sua clarabóia, quando soou a campaínha da pensão."

Imagem rapinada daqui.

Ainda estou a tentar imaginar o vaivém da massa do folar...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Dívida de Sangue (A Saga do Sangue Fresco, #2)

Sinopse
Sookie Stackhouse está numa maré de azar: primeiro o seu colega de trabalho é morto e ninguém se parece preocupar; depois, é atacada por uma criatura que a infecta com um veneno doloroso e mortal. Tudo se complica quando Bill nada consegue fazer e pede a ajuda de Eric para lhe salvar a vida. A questão é que agora ela está em dívida para com Eric - um vampiro deslumbrante mas tão belo quanto perigoso. E quando ele lhe pede um favor em troca, ela tem que aceder.
De repente, Sookie está em Dallas a usar os seus poderes telepáticos para encontrar um vampiro. A sua condição é que os humanos não devem ser magoados. Mas a promessa de os vampiros se manterem na ordem é mais fácil de dizer do que de cumprir. Basta uma bela rapariga e um pequeno deslize para que tudo comece a correr mal…
Entretanto, também Eric tem os seus próprios segredos...

Opinião
Impulsionado pela série televisiva True Blood, decidi, ainda no ano passado, avançar com a leitura dos livros que lhe deram origem. E, se o primeiro livro me permitiu "re-visualizar" a primeira temporada da série, este iniciou o desvio entre a saga dos livros e a saga televisa já que, comparativamente com a segunda temporada da série, apenas tem em comum o enredo principal e as aventuras de Sookie com os vampiros sendo que no desfecho das várias histórias que vão surgindo no dia a dia de Sookie, a coisa sai completamente ao lado.
Aliás, uma das grandes, senão mesmo abissais, diferenças, é a morte de Lafayette logo no início deste livro, enquanto que na série, ele desempenha um papel essencial sendo, inclusive, uma das minhas personagens favoritas.

Mas, cingindo-me apenas ao livro, posso dizer que foi uma leitura agradável mas que ficou muito além das expectativas. Não gostei muito da forma como a autora introduziu a ménade, logo no início com um ataque a Sookie e depois deixou-a em lume brando (esquecida mesmo!) até que o desenrolar nos acontecimentos forçassem o seu reaparecimento. Pareceu-me demasiado forçado este aparecimento de mais uma "criatura mítica". Também em relação aos acontecimentos em Dallas, pareceu-me que em certas alturas a autora deveria ter sido mais explícita e avançar com mais detalhes sobre as situações em que Sookie era embrulhada. Gostei, contudo, do intensificar da relação com Eric que irá desempenhar um papel de maior relevo daqui para a frente (é o que dá ler com este atraso todo... toda a gente já comentou :) ).

O terceiro livro ainda está lá na estante, à espera... Mas, ou a autora me surpreende com o terceiro ou tenho a ligeira impressão que não irei terminar a saga...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Balanço de leitura 2011

Excelente ano o de 2011 no que à leitura diz respeito.
Consegui cumprir os objectivos a que me tinha proposto e ainda consegui ir um pouco mais além. Foi também, pela qualidade dos livros que li, um ano de excelente colheita.
No início de 2011 tinha-me proposto ler:
- 2 clássicos portugueses (li Amor de Perdição e As Pupilas do Senhor Reitor)
- a saga Sangue Fresco (li os volumes I e II)
- um (ou dois) volumes das Crónicas de Gelo e Fogo (li dois, A Tormenta de Espadas e a Glória dos Traidores)
- o Hobbit (lido e com muito, mas mesmo muito prazer)

Eis a lista de 2011.


No total, foram 17 livros e 6221 páginas devoradas o que dá uma média de 518 páginas por mês. Nada mau...
O destaque positivo vai, sem qualquer dúvida para O Hobbit, simplesmente porque sou um fanático de Tolkien e da Terra Média. :)
Mas, fanatismo à parte, destaco a obra de Gary Jennings sobre a civilização Azteca que é absolutamente fantástica, o volume 6 (A Glória dos Traidores) de As Crónicas de Gelo e Fogo de George R.R. Martin que nos consegue cortar a respiração de princípio a fim, e o Deixa-me Entrar de John Ajvide Lindqvist que nos leva numa aventura vampiresca, mostrando a problemática do lado não humano da "coisa".
A desilusão do ano tive-a com Ken Follet. Apesar de ser um consagrado autor, com diversos best-sellers nas livrarias, não gostei do seu A Ameaça. Como thriller, achei-o muito fraco e previsível. No entanto, mantenho em aberto o autor e tenho algumas obras suas em lista de espera... A ver vamos.

Para 2012, o desafio são 20 livros! Arrojado? Talvez. Conseguirei atingir esta meta? Daqui a um ano falamos. :)
Quanto à selecção das obras para este ano que se inicia, tentarei ler:
- 2 clássicos portugueses
- mais 2 volumes das Crónicas de Gelo e Fogo (já li 6 e ainda faltam 4!)
- terminar a trilogia d'Os jogos da Fome (o primeiro volume já está)
- iniciar a saga Millennium de Stieg Larsson (aproveitar que vai estrear o filme...)
- iniciar a Série da Águia de Simon Scarrow (tenho que mandar vir o primeiro...)

Quanto ao resto, tudo o que vier por acréscimo, será sempre bem vindo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O meu musicol ...

Hoje trago-vos Loch Lomond. Com nome de lago escocês, são uma banda americana, de Portland, formada por Ritchie Young em 2003. Very calm and smooth music, baseada na guitarra e na melodiosa voz de Ritchie.

Wax & Wire saiu em 2009, no EP Night Bats e tem sido um sucesso, especialmente como banda sonora de vários vídeos "radicais", como este de Danny MacAskill. Aqui fica uma versão caseira.



Do último álbum, Little Me Will Start a Storm, deixo outra excelente música:
Elephants and Little Girls.



Muito bom, para ouvir nas calmas, sentadinhos no sofá...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Os Jogos da Fome

Sinopse
Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espectáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um acto de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade? Um enredo surpreendente e personagens inesquecíveis elevam este romance de estreia da trilogia Os Jogos da Fome às mais altas esferas da ficção científica.

Opinião
Li este Jogos da Fome inserido naquilo que foi a minha primeira leitura conjunta, através de um grupo de leitura do Goodreads. Apesar de não ter planeado para 2011 (pretendia iniciar a trilogia em 2012), esta leitura acabou por se tornar agradável e aumentar os meus números de leitura relativos a 2011 (noutro post farei o balanço do ano que passou).
O enredo é muito interessante. Um regime totalitário, composto por 12 distritos naquilo que outrora foi a América do Norte, e que governa uma nação de uma forma escravizante e que, para marcar o seu poderio, criou os Jogos da Fome, competição em que participam 2 adolescentes de cada distrito onde o único objectivo é chegar ao final vivo! É matar ou morrer!
O livro divide-se, essencialmente, em duas partes. Na primeira parte é feita a introdução à história de Panem e à vida no distrito 12 sob a perspectiva de Katniss Everdeen. Aqui, achei que a autora poderia ter feito bastante mais e melhor. A introdução acaba por ser um pouco vaga e, na minha opinião, algo mais poderia ter sido dito em relação à vida no distrito 12 e à construção de outras personagens que dessem outro tipo de envolvência à história. Quanto à segunda parte, considero-a como o ponto forte, quiçá, da trilogia. Através dos olhos de Katniss, a autora faz-nos acompanhar os jogos de princípio a fim, com todas as vicissitudes inerentes a um jogo do tipo matar ou morrer com adolescentes! Apesar da brutalidade do jogo (estamos a falar de adolescentes entre os 12 e os 18 anos) e mesmo não entrando em grandes detalhes em relação às mortes que vão ocorrendo na arena (algumas delas até demasiado insossas e completamente previsíveis) a escrita consegue-nos manter colados ao livro e dá-nos vontade de o ler de uma assentada!

No geral, acabou por ser uma leitura agradável e cuja escrita, virada para o young-adult, acaba por ser bastante simples o que facilita o "agarrar" dos leitores à história.
Talvez pelas leituras que fiz em 2011 (ano de colheita de qualidade!), os Jogos da Fome acabou por me "saber a pouco". Fez-me falta uma maior descrição da história de Panem, o porquê da criação dos jogos e, acima de tudo, mais detalhe na descrição dos jogos. No entanto, tem a virtude de agarrar o leitor à história.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

The Hobbit :: Trailer

Depois deste pequeno interregno de Natal, we're back on business!
E nada melhor do que o universo de Tolkien para voltar a postar!

Finalmente, aí está o primeiro trailer oficial do The Hobbit. Pena que ainda falta um ano...



E também já saiu o production video #5, desta vez dedicado à impressionante operação de logística associada às filmagens on location ou seja, no exterior. É verdadeiramente impressionante a envergadura da operação.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Gastronomia transmontana

É isto!


Alheira de Mirandela com grelos e batata cozida! Maravilha...
Obrigado M. pelas genuínas e caseirinhas. :)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

The Smurfs

Ou, os Estrumfes, como lhes chamavamos no meu tempo chegaram este ano ao cinema e, esta semana, a minha casa. :)
Quarta à noite, véspera de feriado, dava direito às "pikenas" de ficarem acordadas até mais tarde e planeei uma sessão de cinema para vermos os Smurfs. Sinceramente, não esperava este tipo de filme. Sem contar, fartei-me de rir, e elas viram até ao fim sem adormecer! É um filme muito engraçado e o papel desempenhado pelo Gargamel é delirante...
Além da miudagem é, sem dúvida, um filme para ser visto por adultos, nem que seja para relembrar velhos tempos e a famosa smurf song, Lalalalalala, Sing a Happy Song.
Aqui fica o trailer.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sangue Asteca - Vol. II

Sinopse
Em 1530, depois de Hernán Cortés quase extinguir o povo Asteca, o Rei de Espanha, ordena ao bispo do México que lhe faculte informação acerca dos costumes do povo Asteca. O bispo, frei Juan de Zumárraga, redige um documento baseado no testemunho de um ancião. Um homem humilde e submisso que vai chocar a moralidade e os preconceitos do mundo civilizado. O nome dele é Mixtli - Nuvem obscura. Após Orgulho Asteca, Mixtli, o mais robusto e memorável de todos os Astecas, continua o relato da sua vida em Sangue Asteca. Mixtli já não é um jovem inocente. A sua infância, as suas viagens e batalhas, a perversidade da corte e os amores perdidos fizeram de Mixtli um homem marcado pelas cicatrizes de uma vida atribulada e muitas vezes trágica. O realismo e o desfecho desta maravilhoso livro, contam uma história que o leitor jamais irá esquecer. A História de Mixtli é em grande parte a história do próprio povo Asteca: épica e de uma dignidade heróica. Este é o princípio e o fim de uma colossal civilização.

Opinião
Este Sangue Asteca é a continuação de Orgulho Asteca, dois volumes que representam a tradução do original Aztec de Gary Jennings.

Em primeiro lugar, realço pela negativa a qualidade da tradução/revisão feita nesta edição (1ª se não estou em erro). São tantas, mas tantas as gralhas que se encontram no livro que irritam até o mais calmo leitor. É inadmissível, numa obra desta natureza e de elevada qualidade, deixarem passar tantas gralhas, tantos erros e tantas "más construções" de frases. Simplesmente inadmissível!

Quanto à obra, excelente. Depois de no primeiro volume nos ter sido apresentado Mixtli e ter sido feita a descrição das suas vivências desde os tempos de criança e adolescência até à sua ascensão a Pochteca, uma espécie de "caixeiro viajante/comerciante" da altura, em Sangue Asteca temos oportunidade de acompanhar a vida altura de Mixtli, as suas aventuras como comerciante, a sua ascensão a Mixtlin (o sufixo "lin" era sinal de nobreza), a sua busca pelas raízes do povo asteca e, por fim, a trágica chegada do povo branco (espanhóis) e a queda daquela que foi uma das mais gloriosas civilizações sul americanas.
Como já tinha referido para o Vol. I, o trabalho de pesquisa do autor é notável e neste segundo volume, continua a levar-nos a percorrer as várias regiões em torno da grande Nação Méxica, acompanhando as incursões de Mixtli como Pochteca, na procura de novos produtos e novidades bem como, numa fase posterior, em busca das raízes do povo asteca, antes de se fixar naquela que terá sido uma das maiores e mais explendorosas cidades dos "índios", Tenochtitlán.
O último terço do livro ficou reservado para a chegada dos espanhóis e para uma versão do que terá sido o declínio e o quase extermínio dos Mexicatl, às mãos dos espanhóis e das suas super avançadas armas de guerra. Enquanto que os guerreiros méxica lutavam com as chamadas maquahuitl, os espanhóis dispunham de bestas, arcabuzes e canhões o que se traduzia numa imensa vantagem e num poder de destruição avassalador. E aqui refiro "versão" porque me parece que houve muito "autor" na descrição da tomada d' O Mundo Único (baptizado como Nova Espanha depois da conquista).
Engraçado foi também a perspectiva do autor sobre Malintzin ou a Malinche. Malintzin era uma escrava méxica que acabou por ser entregue/adquirida por Cortés (o grande conquistador do Novo Mundo) e que desempenhou as funções de tradutora e que ficou conhecida na história como a grande traidora das civilizações locais. Ao contrário da perspectiva de Laura Esquivel em A Malinche, Gary Jennings não se retrai nas acusações e na forma como retrata Malintzin colocando-a ao mesmo nível de Cortés na responsabilidade pelos vários massacres e quase extermínio dos indígenas.

Em resumo, trata-se de um excelente trabalho de investigação por parte do autor que nos transporta até um mundo diferente onde nos é apresentada uma civilização que conseguiu atingir patamares altíssimos quer em termos de riqueza, quer em termos de desenvolvimento e organização social e que tinha, tal como outras civilizações, os seus aspectos menos bons. Podemos eventualmente ficar estupefactos e criticar veementemente os sacrificios e execuções que eram realizadas na altura por questões religiosas mas convém não esquecer que na mesma época, aqueles que na escola aprendemos a chamar conquistadores, acabaram por exterminar outras civilizações na sua busca pelo ouro e na imposição da sua religião.