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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Perdida no tempo

Assim se encontra a estação do Tua, na linha do Douro.

Já lá vão uns meses desde a última vez que por lá passei, mas só agora tenho oportunidade de deixar aqui uma amostra do registo fotográfico que fiz.
E a preto e branco, para dar aquele ar de antigo ... :)








Quem sabe, num fim de semana próximo, talvez faça um passeio de comboio até lá ... quanto mais não seja para almoçar no Calça Curta! Vale bem a pena ...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Pare, escute, olhe e não esqueça!

Já há uns tempos atrás, tinho falado aqui sobre o Tua e o desaparecimento da Linha do Tua.

Entretanto, após umas pesquisas, fiquei a conhecer muita gente que, como eu, se revolta contra este crime e contra mais uma machadada infligida sobre uma das regiões mais bonitas de Portugal, Trás-os-Montes.

Estreado há pouco tempo, e ainda em exibição em algumas (muito poucas) salas de cinema do país, está o documentário "Pare, Escute, Olhe", da autoria de Jorge Pelicano e que venceu o festival DocLisboa deste ano. Aqui fica o trailer.





No site do filme podem encontrar ainda um acervo fantástico de fotografias do Tua e mais alguns vídeos sobre o desaparecimento desta pérola transmontana.

No site do Movimento Cívico pela Linha do Tua podem encontrar um secção de fotografias e vídeos sobre o assunto.





A galeria de imagens é soberba mas a secção de vídeos está muito completa e permite-nos conhecer a história deste crime desde o encerramento de parte da linha entre Macedo de Cavaleiros e Bragança em Dezembro de 1991. Aconselho vivamente a visualização dos dois últimos vídeos na página: o Grande Roubo (1) e o Grande Roubo (2). Facilmente ficamos a perceber os interesses que estão por detrás do fecho da linha e de como a CP foi um interveniente (mais do que) activo no meio deste filme todo ...

A incúria, o desleixo, o esquecimento propositado não podem ficar em claro. A CP é, sem qualquer dúvida, um dos principais culpados de toda esta farsa.

Tenho plena consciência que a maior parte das petições online não passam disso mesmo e por isso nunca assinei nenhuma ... até agora. Acho que depois de ter presenciado a imponência daquelas maravilhosas paisagens e sentir uma enorme pena de nunca ter tido oportunidade de percorrer um trajecto único em Portugal, não pude deixar de assinar esta petição pela preservação do património do vale do Tua.
Quem sabe se um dia não poderei experimentar este passeio ...

Não deixemos o Tua cair no esquecimento.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Páscoa transmontana (2)

No regresso ao Porto, optei por seguir pelo Douro e partir a viagem em dois dias.
No primeiro dia, arrancando de Torre de Moncorvo e com a Foz do Tua como destino, como não existem alternativas viárias para lá chegar, tive que subir até Vila Flor, seguir até Carrazeda de Ansiães e só depois descer até ao Tua.

A paisagem é deslumbrante, com as encostas praticamente todas "socalcadas".
Não sou apreciador (nem muito menos bebedor) mas pelo que vi, deve sair dali muito e bom vinho!


Como já tinha referido no post anterior, a Foz do Tua desiludiu-me bastante. Encontrei algo a que nem sequer consigo chamar aldeia. Uma localidade completamente morta e que subsiste, ainda, exclusivamente graças à estação da CP.


Além da estação, existe a Casa do Tua (onde pernoitamos), um café-restaurante, uma pequena e modesta mercearia e uma padaria. Depois, algumas casas em linha na estrada junto ao rio (a maior parte delas completamente abandonadas) e nada mais.

É um crime aquilo que tem vindo a fazer ao Alto Douro e nordeste transmonstano com o abandono total dos caminhos de ferro.
Para quem não sabe, a Linha do Douro que actualmente termina no Pocinho, seguia até Barca D'Alva e entre o Pocinho e Miranda do Douro havia a Linha do Sabor que permitia seguir até Miranda do Douro (localidade de Duas Igrejas) passando por Torre de Moncorvo, Carviçais, Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro, Sendim, etc. Infelizmente, não tive a oportunidade de viajar nessas extintas linhas mas se de carro já dá gosto percorrer aquelas localidades, imagino o que seria uma viagem de comboio por ali ... É uma região extremamente bonita.
Aqui podem encontrar algumas fotografias das estações e apeadeiros abandonados.

Ainda na Foz do Tua, "dei de caras" com outro crime (este bem mais recente), a extinção da Linha do Tua. É o resultado de anos e anos de completo abandono e desmazelo por uma das linhas mais bonitas de Portugal. Além disso, outros interesses de caracter financeiro falam mais alto nestas questões. Refiro-me, obviamente à nova barragem que irá nascer praticamente na Foz do Tua e que irá submergir parte da Linha do Tua, inutilizando-a de uma vez por todas.

Mas o que eu acho mais engraçado neste episódio é ver os nossos governantes e "supostos" responsáveis pela nação informarem-nos de que a Linha do Tua se encontra em fase de análise e possível recuperação e depois, in loco, ver a maquinaria e todo o circo da EDP montado e em plena operação. Das duas uma: ou a construção da barragem já avançou ou então a EDP foi a empresa escolhida para requalificar a Linha do Tua. Infelizmente, não creio que a segunda opção seja a correcta ...

Deixo aqui algumas imagens da Linha do Tua, possíveis enquanto a água não as cobre.




Saindo do Tua, foi sempre a subir até Alijó e depois, sempre a descer até ao Pinhão. Em Alijó ainda registei o verdadeiro monumento ao "homem da terra".


É impressionante a quantidade de vinha naquela região. É caso para dizer que eles aproveitam tudo e não deixam nada!


O almoço foi na vila de Pinhão, com umas vistas magníficas sobre o Douro e a foz do rio ... Pinhão :)


Enfim, uns dias muito bem passados com muita calma e pacatez, como umas verdadeiras mini-férias devem ser.

Provavelmente ainda voltarei a estas bandas este ano ... quiçá de comboio ;)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Páscoa transmontana (1)

Trás-os-Montes, e mais concretamente o Alto Douro Vinhateiro, foi o destino das mini-férias de Páscoa este ano. Torre de Moncorvo, Tua e passagens por Mogadouro, Miranda do Douro, Carrazeda de Ansiães e Pinhão. Foram estas as localidades escolhidas para o passeio.

Apesar de algumas serem já conhecidas (e bem), outras houve que me impressionaram (infelizmente pela negativa) como o caso do Tua (ou Foz do Tua, como alguns lhe chamam).

Comecemos por Torre de Moncorvo. Frio e tempo cinzento ... Pelo menos não choveu.



Este é já um local de peregrinação anual. Apesar de o ano passado ter falhado, todos os anos lá vou, normalmente em Agosto. Este ano calhou na Páscoa, o que não invalida voltar lá em Agosto. Gosto muito da vila e do sossego e pacatez que se sente. Não há centros comerciais (o que é óptimo !!!), o comércio tradicional encolhe de ano para ano e o centro (histórico) dá cada vez mais sinais de abandono. É pena ...

Mas uma das principais razões que me leva a Moncorvo é um pequeno café-restaurante, na foz do rio Sabor, que serve um prato divinal: peixinhos do rio. Mas a este tema voltarei mais tarde.

Deixo aqui uma perspectiva do final do caminho que o Sabor percorre até se juntar ao Douro, lá ao fundo, no canto superior direito ...


Outro local que eu aprecio bastante é a região do planalto mirandês e a sua capital, Miranda do Douro. No sábado acabamos por dar um passeio até lá, com passagem por Mogadouro (e o seu novo posto de turismo) ...


... e por Sendim, onde almoçamos uma bela posta mirandesa na famosa Gabriela.


À tarde, Miranda do Douro, paraíso dos espanhóis ... Faz-me lembrar Tui e Vigo há muitos atrás mas agora com as realidades trocadas.


Quanto ao resto, tudo na mesma ... Os famosos pauliteiros de Miranda em actuações no centro histórico, comércio tradicional casa sim, casa sim e as maravilhosas escarpas do Douro.



Em resumo, dia muito bem passado e bem comido :)

Os dias seguintes foram passados junto ao Douro. Disponível brevemente no sítio do costume :)